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Presidenciais 2026 em espera

As eleições presidenciais de 2026, cuja primeira volta se realizou no dia 18, vão decidir-se numa segunda volta. Registe-se a razoável participação eleitoral (53% de prováveis 5,8 em quase 11,3 milhões de eleitores). No Continente, 68,5%. E ainda a diminuição da abstenção nas regiões autónomas. Já no estrangeiro, a abstenção foi enorme, condicionada pela obrigatoriedade da presença física nos consulados.
António José Seguro venceu esta primeira volta com pelo menos 31% e prováveis 1,76 milhões dos votos. Ele e André Ventura vão disputar a segunda, opondo, mais uma vez, aparentemente, Esquerda e Direita. De qualquer forma, é justo dizer que o «patinho feio» do PS (Seguro) «obrigou» a maior parte do partido a apoiá-lo.
O pleito presidencial acabou por manifestar uma certa disputa entre partidos uma vez que os líderes do PS acabaram por apoiar António José Seguro e uma vez que Ventura era candidato pelo Chega. A divisão do espaço da Direita entre Ventura, Cotrim de Figueiredo e Marques Mendes beneficiou Seguro, mas, mesmo assim, a soma das percentagens dos três é inferior à das últimas legislativas. Fica-se assim numa situação de semelhança com a eleição de 1986 em termos de disputa entre grandes espectros políticos (Esquerda e Direita) embora Luís Montenegro e Marques Mendes já tenham dito que não apoiariam nenhum dos dois candidatos.
O lamento que manifestei no parágrafo anterior sobre a partidarização dos dois candidatos foi motivado pelo apoio do PS a Seguro e do PSD a Marques Mendes, traindo a verdadeira disputa entre candidatos presidenciais.
De qualquer forma, são de realçar a ascensão de Seguro e de Cotrim de Figueiredo que partiram de uma percentagem muito baixa nas sondagens para os resultados finais, de muito bom nível. Na inversa, a progressiva descida de Marques Mendes a ser vítima das incoerências dos líderes do PSD e do Governo, partidarizando o candidato.
Neste sentido, esta disputa eleitoral é uma derrota clara do PSD e do Governo, assumida por eles próprios e agravada pela não participação na segunda volta. É de realçar a dignidade de Marques Mendes no seu discurso de derrota evidenciando a sua craveira de democrata. Tal como as de Cotrim de Figueiredo e de Gouveia e Melo.
Neste contexto, tem de se considerar que a vitória de Seguro transporta e liberta o PS da situação de abatido na disputa das últimas eleições legislativas e dá-lhe uma ressurreição óbvia para a luta política. Como a votação de C. Figueiredo eleva a projecção eleitoral do IL.
Igualmente, terá de se considerar que a votação de André Ventura é uma derrota relativa face às últimas legislativas pois obteve menor votação do que nestas, embora melhor percentagem.
No Distrito de Bragança, a abstenção também diminuiu (para 51,63%) mas apenas 61.113 votantes de 132.547 inscritos. Seguro ficou em primeiro lugar, com 19.291 votos, e Ventura, em segundo, com 17.496 votos. Por concelhos, Seguro ganhou em sete (Bragança, Vinhais, Alfândega da Fé, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro, Torre de Moncorvo e Vimioso) e Ventura nos restantes, o que é surpreendente para Mirandela, tal como a de Seguro é surpreendente em Macedo e em Vimioso.

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